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A VOCAÇÃO SIDERÚRGICA DO
BRASIL E A GLOBALIZAÇÃO
Sydney A. Latini
O primeiro engenho de fundir ferro em terras americanas
foi erguido nas imediações de Sorocaba (SP), por volta de 1550, muito antes portanto dos engenhos
de ferro de Jamestown, na Virgínia (EE.UU.), que datam de 1607.
Estudo recente de empresa internacional de consultoria, ao analizar os oitos maiores setores de nossa economia,
coloca a indústria brasileira de aço como a mais próxima da melhor prática internacional,
ao revelar que nos últimos dez anos a produtividade das siderúrgicas brasileiras evoluiu de 169 para
375 toneladas/homem/ano.
As vendas externas de aço proporcionaram o ingresso médio de US$ 3,0 bilhões por ano na receita
cambial do país nestes últimos anos, situando-as em torno de 10 milhões de toneladas, por
ano, e colocando-nos em posição relevante no comércio siderúrgico internacional, em
que temos figurado sistematicamente entre os três maiores exportadores líquidos de aço no mundo.
Atualmente nossa produção siderúrgica está presente em mais de cem países.
Em contrapartida, esta mesma posição exportadora gera reações, como a dos Estados Unidos,
que propagam idéias de globalização e da liberação do comércio internacional,
mas usam arrmas protecionistas, tarifárias e não tarifárias, para barrar a entrada de produtos
quando os produtos americanos não têm capacidade para competir, como é o caso do aço
que está sujeito a cotas para ingressar no mercado dos Estados Unidos.
Enquanto isso, registra-se no Brasil o crescimento das importações, na forma de aço contido
em bens internados por setores industriais – como o automobilístico, o naval e o de máquinas e equipamentos
– beneficiados por regime especial de importações. As estatísticas revelam que as importações
indiretas de aço alcançam cerca de 2,0 milhões de toneladas por ano.
Ao se submeter às regras do comércio internacional em uma série de setores nos quais a indústria
brasileira não se mostra tão competitiva, é preciso vigorosa ação diplomática
para impedir que os mercados internacionais se fechem aos produtos brasileiros dos quais devemos nos benefíciar,
tendo em vista nossas vantagens comparativas.
Se o Brasil não reagir, pode acabar condenado a só exportar matérias-primas e produtos agrícolas
de baixo valor agregado – como ocorria até recentemente – cuja receita será insuficiente até
para pagar os compromissos da dívida externa.
Tal como ocorreu na década de 40, no Governo Vargas, quando o Brasil, ao exercer inteligentemente seu poder
de barganha, viabilizou, com a cooperação do governo dos Estados Unidos, a construção
da Companhia Siderúrgica Nacional, marco decisivo de nosso processo de industrialização, precisamos
agora, na éra da globalização, ser menos passivos e ter muito claro quais os interesses nacionais.
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