MARÇO DE 2003



Estudo analisa o futuro da indústria química no Brasil

         A indústria química brasileira precisa sair do círculo vicioso de baixa rentabilidade, baixos investimentos, perda de competitividade e aumento de déficit na balança comercial de produtos químicos, caso contrário o Brasil poderá enfrentar sérias dificuldades em muitos outros setores industriais. Esta é a conclusão central do estudo “O Futuro da Indústria Química no Brasil”, realizado pela empresa de consultoria Booz Allen Hamilton. O trabalho foi entregue ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, pelo presidente do Conselho Diretor da Abiquim - Associação Brasileira da Indústria Química, Carlos Mariani Bittencourt.

        As projeções da Booz Allen são de que, mantidas as condições atuais, o déficit na balança comercial brasileira de produtos químicos poderá chegar a US$ 20 bilhões em cinco anos, nível considerado insustentável para a economia brasileira. No ano passado, o Brasil exportou US$ 3,8 bilhões de produtos químicos e importou pouco mais de US$ 10 bilhões. O resultado foi um déficit perto de US$ 6,3 bilhões. Esse aumento no déficit comercial, aponta o estudo, é reflexo da perda de competitividade do setor gerada pelo quadro de baixa rentabilidade e baixos investimentos.

        O estudo sobre a indústria química brasileira destaca, entre outros tópicos, que o programa “Fome Zero” deverá criar necessidades suplementares em setores como a agropecuária, o que demandará um consumo adicional estimado em US$ 600 milhões em produtos químicos, como fertilizantes e defensivos agrícolas. A eliminação do déficit habitacional, hoje estimado em 6,7 milhões de moradias, exigirá, por sua vez, um consumo de mais US$ 1 bilhão, aproximadamente, em plásticos, tintas e insumos para materiais elétricos, entre outros produtos químicos.

        O estudo propõe medidas nas áreas de matérias-primas e insumos, de tecnologia e de comércio exterior para reverter o quadro do setor químico. Entre elas, a intensificação de investimentos em refino e no aumento da produção de nafta petroquímica, a criação de mecanismos de financiamento para fomentar o desenvolvimento mais intenso de tecnologia, o apoio às exportações de setores com alto consumo de produtos químicos de origem nacional e a não tributação de exportações pelo aprimoramento de mecanismos que garantam a efetiva restituição dos impostos pagos. Essas e outras medidas, segundo o estudo, poderiam elevar em 220% o nível de investimentos no setor e diminuir em cerca de US$ 11 bilhões o déficit na balança comercial de produtos químicos projetado para os próximos anos.

        Para maiores informações sobre onde conseguir esse importante estudo, os interessado devem entrar em contato com a redação do JP através do fone : (21) 2717-0375 ou pelo e-mail jorplast@jorplast.com.br .

 

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