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APERTEM OS CINTOS. FORTE TURBULÊNCIA NA
ROTA.
Sydney A. Latini
Desde o final da Segunda Guerra Mundial, a grande preocupação
dos formuladores de política econômica em praticamente todos os países do mundo tem sido a
luta contra a inflação.
O principal foco dos analistas econômicos parece estar mudando porque, ao contrário do que vinha ocorrendo,
o grande risco para a economia global já não é muita inflação, mas muito pouca
inflação. A queda de demanda, provocada pelas medidas para conter a inflação, resultaram
no maior excesso de capacidade instalada para produção desde 1930, segundo os mais autorizados indicadores
econômicos. Prevê-se uma inflação, em termos globais, para o próximo ano, ainda
menor do que os baixos níveis em que já se situam atualmente.
O resultado previsto é que o crescimento das sete economias mais desenvolvidas do mundo (os G7) baixará
a níveis ainda inferiores aos registrados no último trimestre do ano findante, pouco acima de 1%.
Lento crescimento do Produto Nacional Bruto (PNB) significa maior prazo para corrigir o excesso de dívida
e de capacidade instalada. Inflação excepcionalmente baixa reduzirá os lucros, exacerbará
o endividamento e pressionará o sistema financeiro.
No final do ano 2.000 esperava-se que a economia americana cresceria 3,5% em 2001. No início deste ano,
já se previa um crescimento mais modesto e uma aterrissagem suave (soft landing). Hoje, no entanto, a maioria
dos analistas admite que já se prenunciava uma recessão no início de setembro.
Depois de uma das maiores quedas da história nas Bolsas de Valores de todos os países do mundo, conjugada
com o maior ataque sofrido pelos Estados Unidos em seu próprio território, em 11 de Setembro, é
pouco provável que esses acontecimentos tenham como conseqüência apenas uma suave recessão.
Na verdade, é possível que a economia mundial, de um modo geral, esteja na iminência de sofrer
a maior desaceleração desde 1930.
Os primeiros e preocupantes sinais dessa tendência começam a ser anunciados.
A Bethlehem Steel, a segunda maior empresa siderúrgica dos Estados Unidos, que já vinha sofrendo
de excesso de capacidade instalada e de importações a preços mais baixos, acaba de pedir concordata.
A Polaroid, famosa fabricante de máquinas fotográficas que permitem revelação instantânea
dos filmes, também está concordatária e à procura de um comprador para a totalidade
ou parte de seu controle.
A Siemens, a gigante empresa alemã, detentora da mais avançada tecnologia, anunciou que reduzirá
o seu quadro de pessoal, de 7000 empregados tanto na linha de aparelhos telefônicos fixos como móveis
e fechará algumas fábricas para recuperar a lucratividade de seus negócios.
A GM anunciou que os lucros no terceiro trimestre, do ano 2001 caíram 54% para US$ 385 milhões, excluindo
impostos. A Ford anunciou um prejuízo, no mesmo trimestre, de US$ 692 milhões. Depois de perder US$
752 milhões no trimestre anterior, este é o primeiro prejuízo trimestral consecutivo desde
1992.
A IBM anunciou que os lucros no terceiro trimestre de 2001 caíram 19% para US$ 1,6 milhões, comparados
com o ano anterior, por causa da queda nas vendas e as condições desafiadoras depois de 11 de Setembro.
A Intel anunciou que seus lucros no período caíram 96% para US$ 106 milhões.
Citigroup, um gigante na prestação de serviços na área financeira, anunciou que seus
lucros no terceiro trimestre caíram 9% para US$ 3,2 bilhões, devido à queda de lucros em investimentos
e ao aumento de indenizações de seguros relacionados com 11 de Setembro. J.P. Morgan Chase anunciou
lucros inferiores em 68% sobre o mesmo período, para US% 449 milhões.
Merril Lynch e Bank of America, americanas, e Commerzbank, alemã, aumentam a lista de importantes empresas
que, no mundo inteiro, acusam sinais evidentes dos tempos difíceis que se prenunciam.
O Brasil, uma economia periférica, extremamente vulnerável aos movimentos da conjuntura econômica
dos países situados no centro do sistema econômico mundial, não ficará imune aos seus
percalços. Tudo indica que não será possível esperar mais um ano – até o próximo
governo – para rever sua política econômica, excessivamente centrada no combate à inflação,
para fazer face à nova realidade do ciclo econômico que se inicia, em escala mundial.
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