NOVEMBRO DE 2001

   

JORNAL DE PLÁSTICOS NA K’2001

MAIS DE 230.000 VISITANTES NA MAIOR FEIRA DE PLÁSTICOS E BORRACHA DO MUNDO

Antonio Guarino de Souza*


Messe Düsseldorf Gmbh

Embora o número de visitantes tenha sido 12% menor que o da feira de 1998, certamente ninguém se desapontou com a prolongada exibição de 8 dias.

130.000 estrangeiros, 64% europeus de 100 nações demonstrando que os europeus e principalmente os asiáticos não estão tão preocupados com a crise Bush-Bin Laden.

Em termos de interesse prioritário, os visitantes se distribuíram de forma surpreendente: as matérias primas e produtos auxiliares atraíram 38% dos visitantes, seguidas de 29% mais interessados em produtos técnicos de plásticos e borracha. Essa distribuição percentual de prioridades aponta para uma forte queda no interesse por máquinas e reflete a tendência de estagnação econômica dos países do primeiro mundo.

Sob o titulo de “ Plásticos no espaço – soluções para a terra”, foram apresentadas as importantes inovações tecnológicas trazidas das necessidades ambientais do espaço extra-terrestre; especialmente para bombeiros, pilotos de corrida, controle das funções vitais humanas, para-choques sensitivos, e outras cerca de 200 novidades já postas em prática.
A presença de expositores brasileiros duplicou em relação à K de 98. Dest a vez, tivemos 19 participantes sendo 5 entidades e 14 indústrias, algumas já tradicionais expositoras e, outras, alavancadas pela nossa situação cambial favorável.

Para melhor avaliar as expectativas dos expositores, transcrevemos parte das entrevistas gravadas com os representantes de algumas empresas brasileiras:

Policarbonatos S/A - Sr. Antonio Pedro Machado – Gerente Comercial.

“ Esta é a 6a. participação da Policarbonatos nas feiras K e continuamos mantendo excelente expectativa.

Temos distribuidoras em toda a Europa Ocidental, nos Estados Unidos, na África e na América do Sul.

Aqui na K recebemos todos os nossos distribuidores como se fosse em nossa casa, procuramos avaliar juntos a situação específica de cada mercado, trocar informações e projetar a demanda para os próximos anos.

A Policarbonatos está no mercado externo há 12 anos e exportamos atualmente de 40 a 60% de nossa capacidade de produção. Portanto o mercado externo não é segredo para nós e a globalização não nos surpreendeu.

No momento, sentimos as turbulências do mercado mas acreditamos que em Março de 2002 tudo já estará estabilizado “.

Flocotécnica Ltda. – Sr. Celso Teixeira Aguiar. – Gerente de Desenvolvimento e Pesquisa.

“ A Flocotécnica produz uma vasta linha de produtos para confecção de moda, para indústrias de móveis, papéis, embalagens para cosméticos e perfumes, calçados, brinquedos e para o setor automobilístico que é nosso especial alvo na feira.

Estamos participando da K juntamente com outros nove membros da Associação Européia de Flocagem, entidade que congrega aproximadamente 100 associados e da qual fazemos parte há muitos anos.

Em termos de qualidade, estamos rigorosamente dentro dos padrões europeus e americanos, porém, em automatização, perdemos o compasso, pois as ordens de fornecimento aqui são, no mínimo, 10 vezes maiores em volume que as nossas.

Estamos atualmente empenhados em cerca de 100 projetos para a indústria automobilística brasileira, embora não tenhamos ainda conseguido uma posição firme no mercado. Para 2002, é nossa esperança que os projetos das montadoras saiam do papel ”.

Sindicato do Material Plástico do Nordeste Gaúcho – Sr. João Francisco Mueller.

“ Nosso Sindicato, juntamente com o Sindicato das Indústrias de Plástico de Porto Alegre e com o patrocínio do governo do estado do Rio Grande do Sul e do Sebrae, está presente na K com 75 empresários que aqui vieram para prospectar novas tecnologias e novos negócios.

Somos 225 empresas associadas no nordeste do estado, empregamos 7.500 trabalhadores e faturamos mais de USS 400 milhões / ano.

Estamos dando o exemplo de participação associativa a todos os demais sindicatos e associações nacionais e viabilizando a abertura de mercado global para o espressivo número de 75 empresas “.

WUTZL Sistema de Impressão. – Eng.Robert Wutzl - Diretor Comercial.

“ Esta é nossa primeira participação na K. Viemos para identificar novos mercados onde nosso equipamento tenha aceitação e vantagem comparativa. Queremos avaliar o potencial de nossas máquinas de Hot Stamping, Tampografia e equipamentos de automação especialmente nesse momento em que o câmbio nos favorece. Estamos buscando representantes na Europa e África e nos exercitando no sentido de adquirimos maior experiência em grandes eventos como a K “.

Entrevistamos também o Presidente da Cromex Brancolor – Sr. Sérgio Wajsbrot, que nos informou que o principal objetivo da empresa na K é “ receber nossos clientes e rever velhos amigos”, estratéa que nos pareceu muito eficaz, pois em pouco mais de 30 minutos que passamos no estande da Cromex, pelo menos 2 pesos pesados de indústria transformadora paulista estiveram por lá.

Procuramos também a diretoria da Italiana MIR ( fabricante de Injetores de até 9.600 toneladas) para que nos informassem a situação atual de seus investimentos em uma grande fábrica em São Paulo.

Fomos recebidos pelo Sr. Marcio Ribaldo representante da empresa no Brasil e gravamos o seguinte depoimento:

“ A MIR do Brasil começou a funcionar em 1997 quando montamos um escritório em Alfavile, com vendas, administração e manutenção. A partir daí já colocamos 90 máquinas no Brasil, desde 25 toneladas até 2.600 ton., sendo que a MIR fabrica máquinas com até 9.600 ton. Já colocamos equipamentos verticais p/ 1, 2 e 3 cores. Isto fez com que a direção da MIR decidisse estabelecer uma unidade fabril no Brasil. Para tanto, compramos, há um ano, um terreno de 12.000 m2 em Sorocaba.

A terraplanagem já foi feita e o projeto já está pronto. O início da construção está apenas aguardando uma melhor definição de mercado. Fatores como a crise Argentina e a crise energética no Brasil motivaram uma parada estratégica.

Essa nova fábrica em São Paulo objetiva todo o mercado latino americano e estamos confiantes em poder tocar o projeto no início de 2002”.

Nossa Visão da Feira

O tema VISÃO , FUTURO , NEGÓCIOS que orientou esta K 2001 nos remete à feira anterior, de 1998, quando, bastante deprimidos, informamos que a nosso juízo, o “ presente” das indústrias do primeiro mundo estava cada vez mais se afigurando um futuro distante para nós, aqui abaixo do Equador. Nesta feira, malgrado o volumoso relatório de inovações que nos foi fornecido pela eficiente assessoria de comunicações da feira, sentimos que houve uma desaceleração do ímpeto inovador, como se nesses passados 3 anos os grandes participantes do mercado de plásticos estivessem digerindo o que antes era futuro e apenas especulando sobre o que agora é VISÃO. Com certeza a desaceleração da economia Americana e suas conseqüências na Europa e no Japão bateram fundo nos fabricantes de equipamentos.

O eixo de interesse dos visitantes deslocou-se para as matérias primas (como melhorar nossos produtos) e para os produtos técnicos finais (como ampliar o mercado), deixando um pouco de lado as alucinantes máquinas que há 3 anos monopolizaram as atenções empenhadas que estavam seus fabricantes em oferecer equipamentos capazes de produzir cada vez mais com menos mão de obra. Certamente o sucesso dessa estratégica cooperou para aumentar o desemprego e diminuir o consumo.

Quanto à participação brasileira, é estimulante ver empresas de pequeno e médio porte realizarem gigantesco esforço para participarem desse mercado internacional e também lamentável que, apesar de tantos gastos oficiais em promoção de exportação, ainda não tenhamos, como tivemos no passado, grandes “Stands Brasil”, com dezenas de empresas facilitadas pelo estado.

Na K 2001, em cada um dos 17 pavilhões estavam sempre presentes os portugueses, austríacos, chineses, canadenses, indianos, australianos e muitas outras nacionalidades, com sua bandeira e sua participação institucional.

Para ampliar as exportações nacionais, não basta deitar falação contra o protecionismo estrangeiro. Vamos copiá-los protegendo e facilitando a atuação das indústrias nacionais.

O JP. continuará nas suas próximas edições informando seus leitores sobre o que foi a K 2001 através da coluna “ ECOS DA K 2001 ”.

* Antonio Guarino de Souza é colaborador do JORNAL DE PLÁSTICOS, através de artigos. É Industrial de Plásticos - Plásticos Zarzur, ex-Presidente do Sebrae Nacional e representou o JORNAL DE PLÁSTICOS na K 2001..

Isso, sim, é compromisso com o cliente.

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