![]() |
Novembro de 2004 |
|
|
Marcas brasileiras para mercadorias brasileirasSydney A. Latini*Em que pesem as críticas apressadas, foi um sucesso o processo de substituição de importações, desenvolvido no país após a Segunda Guerra Mundial, cujo clímax foi a implantação da indústria automobilística, na década dos anos 50. Com a globalização precipitada, a partir da década de 80, houve muitos retrocessos em nome do estímulo à competitividade mas em prejuízo de centenas (ou talvez milhares) de empresas com capital nacional que desapareceram ou foram absorvidas por empresas estrangeiras. Os estímulos oferecidos durante anos foram abruptamente retirados sem que muitas empresas nacionais (geralmente pouco capitalizadas), tivessem condições (tempo e recursos) para se adaptarem à abrupta abertura ao concorrente alienígena. Até que se adotasse uma política de câmbio mais realista para corrigir os efeitos desastrosos da abertura (verdadeiro escancaramento), milhões de dólares de preciosas divisas se esvaíram com a conseqüente vulnerabilidade a que ficou exposta a economia brasileira não se sabe por quanto tempo ainda. Os que acreditam que só o livre jogo das forças do mercado, sem qualquer interferência governamental, torna possível o surgimento de novos empreendimentos no país, alegam que a política de substituição de importações esgotou-se. A substituição de importações não se esgota porque é um processo inexorável, uma vez que o esforço para produzir localmente as mercadorias antes importadas significa progredir, empregar mais mão de obra qualificada e sobretudo estimular o domínio do conhecimento, criando-se condições para o desenvolvimento da pesquisa e da inovação, gerando marcas nacionais que possam competir com as estrangeiras no mercado interno e no mercado externo. Os incentivos concedidos para implantar a indústria automobilística no Brasil, no curto período de cinco anos, não foram suficientes para consolidar a indústria de autopeças controlada pelo capital nacional e muito menos para preservar as duas únicas marcas nacionais de veículos: a FNM e a VEMAG. Os incentivos então concedidos foram sobretudo de natureza fiscal e cambial. Faltaram, à época, suficientes recursos financeiros do BNDE para fortalecer as empresas nacionais e o mercado de capitais local era ainda mais incipiente do que hoje. O que falar de pesquisa e inovação àquela época? Hoje já se vislumbram iniciativas promissoras nessa área. São animadores os resultados alcançados pela EMBRAPA na área da agricultura, da EMBRAER, na fabricação de aviões; da NUCLEN, no enriquecimento do urânio e de vários institutos de pesquisa tecnológica no desenvolvimento de matérias plásticas a partir da cana de açúcar ou de um sucedâneo de óleo diesel, partindo de óleos vegetais: o biodiesel. É uma nova etapa da política de substituição de importações, agora complementada pela substituição de exportações e pela absorção e geração de novas tecnologias que possibilitem a fabricação de mercadorias brasileiras com marcas brasileiras. *Economista, foi Secretário Executivo do GEIA-Grupo Executivo da Indústria Automobilística durante o Governo JK. |
|
www.jorplast.com.br | Abertura | Índice da Edição do Mês | Próxima Matéria | Correio |