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ESTÁ NA HORA DE REATIVAR O PROGRAMA DO
ÁLCOOL
Sydney A. Latini
Em 1984, cerca de 95% dos automóveis produzidos no Brasil usavam álcool. A crise do petróleo
dos anos 70 estimulou o desenvolvimento de novas tecnologias de motores e o aumento da produção de
cana-de-açúcar. Infelizmente, a falta do apoio governamental e as políticas de preços
cambiantes geraram um grande descrédito em relação ao álcool. Em 2001, havia apenas
1% de carros a álcool. Atualmente, apenas 5,5% dos veículos a álcool que vêm sendo vendidos
utilizam o combustível. Embora muito tímido em relação ao percentual atingido em 1984,
os cerca de cinco mil veículos a álcool que vêm sendo vendidos por mês sinalizam uma
tendência que sua produção aumente nos próximos meses.
A reativação do programa de utilização do álcool como fonte energética,
além de atender à necessidade de encontrar soluções alternativas à utilização
dos combustíveis fósseis, oferece também outras vantagens de igual importância para
as áreas econômica, social e de meio ambiente.
Cada tonelada de cana tem um potencial energético equivalente a 1,2 barril de petróleo. No Brasil,
uma tonelada de açúcar custa de US$ 165 a US$ 200. No mundo, a média está entre US$
320 e US$ 364, sem falar no açúcar de beterraba que custa uma fortuna. Isso mostra a competitividade
desse setor genuinamente nacional – até mesmo para exportar. Esse custo pode baixar ainda mais quando se
removerem os persistentes entraves ao custo Brasil.
O mais importante, porém, são os benefícios sociais. A cana-de-açúcar é
uma verdadeira usina de empregos. Empregos de baixo custo. Vejamos esta comparação, feita pelo industrial
Antônio Ermírio de Moraes em recente artigo no Jornal do Brasil: um posto de trabalho no setor petroquímico
exige investimentos de, aproximadamente, US$ 200 mil; no setor metalúrgico, de US$ 140 mil; no de bens de
capital, US$ 100 mil; e no da cana, de apenas US$ 10 mil.
Por outro lado, para o consumidor, o álcool é mais vantajoso que a gasolina. Considerando o preço
de R$ 0,80 para o litro de ácool, encher o tanque de 60 litros sai por R$ 48,00. Se o consumo médio
for de 10 km/l, é o bastante para se percorrer 600 quilômetros.
Se o mesmo cálculo for feito com a gasolina, obtém-se autonomia maior com um tanque: 720 quilômetros.
Em contrapartida, o custo é de R$ 102. No fim das contas, o custo do quilômetro rodado do álcool
é bem menor: R$ 0,08 contra R$ 0,13.
Além disso, o aumento da participação dos sub-produtos da cana na matriz energética
nacional, melhoraria a balança comercial com a redução dos gastos de importação
de petróleo e a produção de energia elétrica e vapor pelo bagaço de cana.
Está na hora de reativar o Programa do Álcool. A Federação das Indústrias do
Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN), em documento de recente divulgação (Agenda Brasil – 2003) inclui
a Defesa da utlização do álcool como combustível alternativo, entre os temas prioritários,
e propõe que sejam criados mecanismos que garantam o mercado doméstico do álcool, cabendo
destacar:
• Mecanismo de sustentação de estoques estratégicos de álcool;
• Implantação do MAD – 8, combustível alternativo que mistura álcool e diesel;
• Cumprimento da Lei Federal de Frota Verde, programa que determina que novos veículos adquiridos pelo setor
público sejam movidos a álcool;
• Reativação do Plano Nacional de Renovação da Frota Automobilística;
• Alíquota de ICMS menor relativamente à gasolina
• Utilização de tecnologia para o uso do combustível flexível , onde o veículo
alterna o uso da gasolina e do álcool.
*Economista, foi Secretário Executivo do GEIA-Grupo Executivo da Indústria Automobilística
durante o Governo JK.
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