OUTUBRO DE 2003

Otimismo no Setor de Resinas Sintéticas

Queda da taxa de juros e vendas de final de ano animam a indústria

        O primeiro semestre deste ano não foi dos melhores para o setor de resinas sintéticas. O cenário internacional causou o aumento da nafta e a queda das vendas internas e da produção. Apesar disso, o Sindicato das Indústrias de Resinas Sintéticas no Estado de São Paulo (Siresp) está otimista e espera uma retomada do consumo neste final de ano, além de um aquecimento da economia em 2004.

        No início do ano, a perspectiva de uma guerra duradoura dos Estados Unidos contra o Iraque levou a indústria de transformação a elevar seus estoques e as petroquímicas a intensificarem sua produção. Ao contrário do que se esperava, a guerra foi curta deixando a indústria super abastecida. Para piorar a situação das vendas das termoplásticas brasileiras, os preços da nafta abaixaram num momento em que as transformadoras ainda não tinham absorvido os estoques antigos. Como resultado, o consumo aparente do total de resinas no período de janeiro a julho caiu 4,84% em comparação ao mesmo período do ano passado. A queda foi tão intensa que algumas indústrias chegaram a paralisar temporariamente a produção.

        Passada a maré baixa, o setor começa a se animar com alguns sinais de retomada de consumo e aquecimento da economia. A redução da taxa de juros veio ao encontro do que a indústria de resinas esperava há tempos. “Deve ocorrer uma retomada gradual do consumo através de uma maior facilitação do crédito ao consumidor, além de uma queda geral nos juros bancários”, afirma José Ricardo Roriz Coelho, presidente do Siresp.

        Outros fatores apontam para uma melhora nas vendas internas. O retorno dos investimentos produtivos deve baixar os índices de desemprego e conseqüentemente aumentar a massa salarial. O setor de embalagens, diretamente atingido por esse aspecto, compra cerca de 60% das resinas produzidas no país. O final do ano também deve elevar as vendas, o que sempre acontece nesse período em que o varejo em geral fica aquecido e as indústrias de bens duráveis e semi-duráveis repõem seus estoques.

        As demonstrações de que o governo pretende manter uma política econômica estável, com a cotação do dólar constante, a inflação controlada e a queda de juros estão animando o setor. “Isso nos leva a ter uma expectativa extremamente positiva. As bases para o crescimento sustentável estão sendo lançadas, de acordo com a agenda estipulada para o ano”, afirma o executivo do Siresp.

        As previsões para as vendas externas também estão animadoras. A indústria de resinas espera a aprovação do Export Plastic, um programa de incentivo às exportações de manufaturados plásticos que tem como objetivo acabar com o déficit de US$ 1 bilhão da balança comercial do setor, alcançando um superávit de US$ 800 milhões. “Com todos esses bons sinais, esperamos fechar 2003 com um crescimento de 5 a 6% no consumo aparente de resinas”, finaliza Roriz Coelho.


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