Outubro de 2005

 

 

O Redesenho do Setor Transformador de Plásticos
e a Governança Corporativa

       Neste número, realizamos uma entrevista com José Simantob, Economista que já ocupou vários cargos de Direção na Indústria do Plástico tendo sido, inclusive, Superintendente do Instituto Nacional do Plástico – INP e assessor de várias Comissões na ABIQUIM.

        JP - Como o Senhor vê atualmente o perfil do setor do Plástico?

        Simantob -Do ponto de vista da propriedade, encontramos, na sua quase totalidade, empresas controladas por família ou famílias. Na base da pirâmide, encontramos empresas de porte pequeno e micro, tendendo na maioria para empresas jovens. Do meio da pirâmide para o vértice, as empresas de porte médio e as grandes tendem a ser maduras. Muitas delas podem ter problemas de sucessão, portanto de continuidade ao tipo de trabalho que vinha, até então, sendo conduzido pelo fundador, com “governança centralizada na sua cabeça” até agora com sucesso. Seu sucesso pode ser caracterizado por sobrevivência e crescimento. O seu único fracasso poderá ser a falta de continuidade de lucro ou crescimento com o avançar da sua idade ou sua inevitável ausência, se ele não tiver preparado efetivamente um herdeiro, exatamente com suas características de visão e governança, até mesmo melhoradas. Isto é quase impossível.

        JP- Como o senhor define governança corporativa?

        Simantob - Conforme  Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa, editado pelo Instituto Brasileiro de Governança  Corporativa –IBGC, do qual sou membro, ela define-se como: “O sistema pelo qual as sociedades são dirigidas e monitoradas, envolvendo os relacionamentos entre Acionistas/Cotistas (famílias no caso das empresas transformadoras do Plástico), Conselho de Administração, Diretoria, Auditoria Independente, Conselho Fiscal e outros stakeholders ou partes interessadas (funcionários, clientes, fornecedores, outros credores, governo e comunidade). As boas práticas de Governança Corporativa têm a finalidade de aumentar o valor da sociedade, facilitar seu acesso ao capital e contribuir para a sua perenidade, no contexto de uma visão estratégica de curto, médio e longo prazo”.

        JP- Que conselho o senhor daria a  empresário de empresa madura, geralmente grande, que não conseguiu preparar a sucessão e nem implantou uma efetiva governança corporativa?

        Simantob - Meu conselho: de forma realista, venda a empresa enquanto é tempo. Não deixe empresa para o herdeiro se ele não está em condições de “tocar a firma”, deixe dinheiro. As melhores soluções para a perenidade das empresas com problemas de sucessão são os processos de aquisições, fusões e incorporações.

        JP-Qual a importância da Governança Corporativa no caso de aquisições, fusões e incorporações?

        Simantob – Muito grande! Quem adquire, se funde com ou incorpora empresas está lidando com verdadeiros organismos vivos e nos mais diversificados ambientes e  culturas (partes interessadas ou stakeholders). A propriedade da empresa passa a ter diferentes e novos sócios, sejam eles apenas cotistas ou acionistas. A governança corporativa passa a ser imprescindível uma vez que se apóia em 4 pilares no relacionamento entre os sócios, a saber: eqüidade, transparência, prestação de contas (accountability) e responsabilidade social.

        JP – O assunto é bastante interessante, muito amplo, complexo e poderá efetivamente contribuir para um revolucionário redesenho do setor. Acreditamos que não se esgote com apenas uma entrevista. O Sr. se proporia a conceder, todos os meses, uma entrevista ao JP e/ou responder às dúvidas de nossos leitores?

        Simantob – Com todo o prazer! Inclusive os leitores do JP que queiram receber graciosamente o Código das Melhores Práticas da Governança Corporativa deverão solicitá-lo pelo meu endereço eletrônico : jsimantov@ig.com.br 


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