O Redesenho do Setor Transformador de Plásticos e
a Governança Corporativa
Neste número,
realizamos uma entrevista com José Simantob, Economista que
já ocupou vários cargos de Direção na Indústria do Plástico
tendo sido, inclusive, Superintendente do Instituto Nacional
do Plástico – INP e assessor de várias Comissões na ABIQUIM.
JP - Como
o Senhor vê atualmente o perfil do setor do Plástico?
Simantob
-Do ponto de vista da propriedade, encontramos, na sua quase
totalidade, empresas controladas por família ou famílias. Na
base da pirâmide, encontramos empresas de porte pequeno e micro,
tendendo na maioria para empresas jovens. Do meio da pirâmide
para o vértice, as empresas de porte médio e as grandes tendem
a ser maduras. Muitas delas podem ter problemas de sucessão,
portanto de continuidade ao tipo de trabalho que vinha, até
então, sendo conduzido pelo fundador, com “governança centralizada
na sua cabeça” até agora com sucesso. Seu sucesso pode ser caracterizado
por sobrevivência e crescimento. O seu único fracasso poderá
ser a falta de continuidade de lucro ou crescimento com o avançar
da sua idade ou sua inevitável ausência, se ele não tiver preparado
efetivamente um herdeiro, exatamente com suas características
de visão e governança, até mesmo melhoradas. Isto é quase impossível.
JP- Como
o senhor define governança corporativa?
Simantob
- Conforme Código das Melhores Práticas de Governança
Corporativa, editado pelo Instituto Brasileiro de Governança
Corporativa –IBGC, do qual sou membro, ela define-se como:
“O sistema pelo qual as sociedades são dirigidas e monitoradas,
envolvendo os relacionamentos entre Acionistas/Cotistas (famílias
no caso das empresas transformadoras do Plástico), Conselho
de Administração, Diretoria, Auditoria Independente, Conselho
Fiscal e outros stakeholders ou partes interessadas (funcionários,
clientes, fornecedores, outros credores, governo e comunidade).
As boas práticas de Governança Corporativa têm a finalidade
de aumentar o valor da sociedade, facilitar seu acesso ao capital
e contribuir para a sua perenidade, no contexto de uma visão
estratégica de curto, médio e longo prazo”.
JP- Que conselho
o senhor daria a empresário de empresa madura, geralmente
grande, que não conseguiu preparar a sucessão e nem implantou
uma efetiva governança corporativa?
Simantob
- Meu conselho: de forma realista, venda a empresa enquanto
é tempo. Não deixe empresa para o herdeiro se ele não está em
condições de “tocar a firma”, deixe dinheiro. As melhores soluções
para a perenidade das empresas com problemas de sucessão são
os processos de aquisições, fusões e incorporações.
JP-Qual a
importância da Governança Corporativa no caso de aquisições,
fusões e incorporações?
Simantob
– Muito grande! Quem adquire, se funde com ou incorpora empresas
está lidando com verdadeiros organismos vivos e nos mais diversificados
ambientes e culturas (partes interessadas ou stakeholders).
A propriedade da empresa passa a ter diferentes e novos sócios,
sejam eles apenas cotistas ou acionistas. A governança corporativa
passa a ser imprescindível uma vez que se apóia em 4 pilares
no relacionamento entre os sócios, a saber: eqüidade, transparência,
prestação de contas (accountability) e responsabilidade social.
JP – O assunto
é bastante interessante, muito amplo, complexo e poderá efetivamente
contribuir para um revolucionário redesenho do setor. Acreditamos
que não se esgote com apenas uma entrevista. O Sr. se proporia
a conceder, todos os meses, uma entrevista ao JP e/ou responder
às dúvidas de nossos leitores?
Simantob
– Com todo o prazer! Inclusive os leitores do JP que queiram
receber graciosamente o Código das Melhores Práticas da Governança
Corporativa deverão solicitá-lo pelo meu endereço eletrônico
: jsimantov@ig.com.br
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