Plastivida recomenda transparência e diálogo em
relação a embalagens plásticas degradáveis
As
vantagens e desvantagens proporcionadas à sociedade e ao ecossistema
por produtos e embalagens plásticas biodegradáveis ou que recebam
um aditivo para acelerar sua degradação, foram discutidas em
27 de outubro, no 2º Simpósio Plastivida, que reuniu 200 pessoas
no Hotel Intercontinental. A Plastivida Instituto Sócio-Ambiental
dos Plásticos é a entidade que representa a cadeia do setor
produtivo no que se refere à temática da responsabilidade social
e ambiental.
Sob o tema
“Degradável ou biodegradável: uma boa alternativa”?, o simpósio
reuniu especialistas nacionais e internacionais e representantes
da indústria. O principal ponto de concordância entre os palestrantes
foi a necessidade de a sociedade tratar o tema com transparência
e diálogo e informar-se mais sobre as conseqüências da utilização
desses produtos e embalagens, tendo em vista a complexidade
que envolve esse assunto.
Outro ponto
de concordância foi a necessidade de se normatizar a fabricação
de embalagens e produtos plásticos que recebam aditivo para
acelerar sua degradação. Um saco plástico produzido com este
componente terá sua degradação acelerada, mas nem por isso deverá
ser simplesmente lançado na natureza. Por outro lado, os esforços
feitos até o momento em prol da coleta seletiva e da reciclagem
precisam ser mantidos e fortalecidos.
O evento
foi aberto pelo presidente da Plastivida, Francisco de Assis
Esmeraldo, que reafirmou a posição da entidade de tratar com
transparência o tema. A seguir, o engenheiro e pesquisador André
Wagner Oliani Andrade, da USP, mostrou que, em sua pesquisa
arqueológica num aterro em Mogi das Cruzes, encontrou praticamente
intactos uma bisteca e outros alimentos orgânicos, tidos como
biodegradáveis, com mais de nove anos, e plástico e alumínio
em degradação.
A pesquisadora
Eloisa Garcia, do CETEA (Centro de Tecnologia de Embalagens)
alertou para o perigo de o “marketing verde” proporcionado pela
utilização de embalagens plásticas degradáveis criar no consumidor
a falsa ilusão de que o produto solucionaria problemas ambientais.
Na seqüência,
o diretor executivo da Biodegradable Products Institute (EUA),
Steve Mojo, explanou as normais internacionais para plásticos
biodegradáveis e aditivados, mostrando análises nas quais foi
encontrado cobalto em plásticos aditivados, em limites acima
dos permitidos pela legislação canadense. E o pesquisador Telmo
Ojeda, da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra-RS), falou
sobre a situação atual das pesquisas sobre plásticos aditivados
no Brasil.
Ao final,
em debate mediado pelo jornalista Paulo Markun, o tema foi discutido
entre o presidente do Instituto Brasil-Pnuma e professor de
Gestão Ambiental da UFRJ, Haroldo Mattos de Lemos; o presidente
da ABIEF (Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas
Flexíveis), Rogério Mani; o professor da Universidade São Francisco
(SP) e membro da ABPol, Derval dos Santos Rosa, e o coordenador
do Comitê Técnico da Plastivida, Jorge Soto.
O presidente
do Conselho Diretor da Plastivida, Alexandrino de Alencar, encerrou
o evento, destacando a posição da entidade de aprofundar o diálogo
a respeito do tema, entre todos os setores da cadeia produtiva,
institutos de ensino e pesquisa, consumidores e governo.
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