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Outubro de 2005 |
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Vendas de produtos químicos e petroquímicos caem em setembroAs vendas medidas em reais do comércio atacadista de produtos químicos e petroquímicos apresentaram, em setembro, redução de 2,7% na comparação com agosto. Já as vendas em dólares no mesmo período não acompanharam o crescimento bastante elevado observado em agosto, apresentando aumento de 0,2%. A variação pequena do mês deve-se à elevada base de comparação em que se constituiu o mês de agosto, com crescimento de 12,4% sobre julho. As informações são do Relatório Tendências, elaborado pelo Depto Econômico da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim) e do Sindicato do Comércio Atacadista de Produtos Químicos e Petroquímicos no Estado de São Paulo (Sincoquim). O resultado médio obtido a partir das informações enviadas pelas empresas participantes do Relatório, mescla desempenhos diversificados, em função das características do setor, com 40% delas declarando desempenho abaixo do esperado, enquanto 35% atingiram resultado dentro das expectativas e a parcela restante de 25% alcançando vendas superiores às esperadas. Segundo Rubens Medrano, presidente da Associquim/Sincoquim, o mercado continua bastante competitivo, com excesso de oferta em determinadas linhas de produtos, provocando queda nos preços. “As empresas têm convivido com situação de achatamento de margens. Essa situação poderá ser revertida com o escoamento dos estoques existentes e com a melhoria da demanda que em muitas linhas de produtos se comportou de forma bastante conservadora em setembro”, observa o líder setorial. O gráfico abaixo mostra o comportamento mensal das vendas em dólares, desde o início do ano, com alternância de resultados positivos e negativos. Observa-se que nos 9 meses decorridos do ano, 6 mostraram desempenho positivo na relação com o mês imediatamente anterior, enquanto os demais 3 meses registraram resultados negativos. A maior variação aconteceu em agosto, enquanto o pior resultado refere-se ao mês de abril, com queda de 6,9%. As oscilações mensais observadas devem-se ao efeito calendário, com alguns meses apresentando menor número de dias úteis, às condições econômicas, caracterizadas por elevadas taxas de juros que influenciam negativamente as diversas atividades e ainda a algumas incertezas quanto às vendas do mercado interno, que reduzem a produção a ele destinada, muito embora as exportações tenham mantido ritmo forte, de uma certa forma garantindo a produção industrial de uma série de setores que se abastecem através do comércio distribuidor de produtos químicos e petroquímicos. Comparando-se os índices de vendas em dólares dos meses até setembro com iguais meses do ano passado, observa-se no entanto que todos os períodos de 2005 apresentam resultados superiores aos alcançados em 2004, conforme se visualiza no gráfico abaixo Nota-se que setembro do ano em curso, apesar do desempenho mensal bastante pequeno em relação a agosto, com crescimento de modestos 0,2%, situa-se bastante acima do resultado de igual mês de 2004, com vantagem muito próxima à registrada em agosto, ambas superiores a 14,5%. Diante dos índices apurados a partir das variações informadas pelas empresas, pode-se chegar às vendas em dólares acumuladas até setembro, mostradas pelo gráfico abaixo Mais uma vez observa-se que as vendas no decorrer de 2005 encontram-se em patamar superior ao do ano passado, com todos os meses mostrando vantagem, a maior delas em fevereiro, seguida pelos 2 últimos meses de agosto e setembro, com variações muito próximas. Muito embora não se possa ainda concluir sobre a participação efetiva do setor na distribuição de insumos e matérias primas por falta de dados sobre o assunto, pode-se prever que a melhoria operacional das empresas, provocada pelos programas de excelência implantados nos últimos meses, tem garantido lugar importante no abastecimento das indústrias, que diante das incertezas da economia buscam suas compras nas fontes de fornecimento mais disponíveis e aptas a prestar um atendimento eficiente. Condições operacionais As empresas praticamente mantiveram as condições de operação, no que se refere aos prazos praticados nas compras e vendas e nos custos financeiros adicionados nas vendas a prazo. O número médio de dias obtido para pagamento das compras efetuadas se situou em 43 dias, com 33 dias para recebimentos das vendas, às quais se adicionou em média 2,3% ao mês. Os preços médios também não mostraram grandes variações, com ligeiro crescimento de 0,3% nos itens nacionais e estabilidade nos preços de itens cotados em dólares. Os estoques foram operados dentro de condições consideradas normais, com pequenas oscilações devidas à política operacional de cada empresa, com número médio equivalente a 35 dias de vendas. Foi introduzida questão que buscava o posicionamento das empresas a respeito dos possíveis investimentos efetuados, em razão do comportamento positivo das vendas no ano de 2004 e nos 9 meses do ano em curso. Metade das empresas consultadas não promoveu modificações substanciais na forma de operação, mas 75% delas declararam ter efetuado algum tipo de investimento destinado à melhoria operacional. Perguntados sobre o tipo de investimento em termos de maturação, apurou-se que 25% dos investimentos foram efetuados para surtir resultados no curto prazo, enquanto aqueles de médio e longo prazo representam iguais parcelas de 37,5%, demonstrando que as empresas têm visão crítica positiva do mercado, esperando crescimento da atividade, postura a justificar os novos investimentos. Em razão do aumento da escala de operações com o exterior, a grande maioria das empresas, parcela equivalente a 75% dos informantes, declararam nestes meses ter ampliado a busca de novos fornecedores no mercado internacional, como forma de melhor atender a demanda crescente por insumos importados. Os mercados mais procurados foram respectivamente o asiático, com 47% das menções, o europeu, com 27% das respostas e o latino-americano com igual número de citações. Perspectivas futuras A previsão de curto prazo para as vendas em dólares realizadas no mês de outubro aponta para crescimento de 3% na comparação com setembro. No que se refere ao comportamento da política econômica e principalmente em relação aos próximos passos do Banco Central na direção da redução das taxas de juros, que promete patamar de 18% no final do ano, permitindo maior crescimento da economia, pode-se dizer que existe certa dúvida entre os informantes deste painel, quanto o que poderá ocorrer nos próximos meses. A minoria representada por 18% dos pesquisados, declarou-se pessimista, esperando que a taxa de juros mesmo que ligeiramente reduzida, não produzirá efeitos positivos na economia no final do ano. Outros, que representam 54% da amostra, enquadram-se no bloco daqueles que se mantêm céticos em relação ao posicionamento do Banco Central, declarando que a política de juros tem sido mantida apesar de todas as evidências positivas e relativas à queda das taxas inflacionárias, enquanto os restantes 28% se manifestaram otimistas quanto à situação futura das taxas de juros e seus reflexos na economia. Indicadores positivos Por outro lado, os indicadores econômicos existentes, apesar das dificuldades representadas pelos juros reais excessivamente elevados, continuam a mostrar sinais otimistas. As exportações têm produzido efeito positivo na produção industrial interna, que proporciona pagamento de salários mais elevados, em função da necessidade de atendimento das encomendas externas. Muito embora não se possa falar em aumento sustentado do rendimento médio dos assalariados, as pesquisas captaram nos últimos meses, aumento embora pequeno no salário real médio, fato que poderá se traduzir em maiores vendas do comércio. O crescimento previsto do PIB, na casa dos 3,5%, determinado pelas elevadas taxas de juros que inibiram por longo período, maiores investimentos, será composto por participação representativa do setor primário, que continua a registrar índices elevados de desempenho e da indústria de transformação, que impulsionada pelas vendas externas poderá crescer acima dos 4% previstos para o ano. Por seu turno, o setor comercial varejista, que já acumula vendas reais positivas na casa dos 5%, poderá encerrar o ano com bom desempenho, uma vez que as condições de crédito facilitado e o volume de crédito colocado à disposição do consumo, sem dúvida serão fatores determinantes para as vendas do final de ano, quando a renda eventual se eleva, aumentando a demanda por bens e serviços. Resta, no entanto, que a política econômica mude o enfoque atual, reduzindo taxas de juros, possibilitando o crescimento dos investimentos e principalmente fazendo com que a sociedade readquira a confiança no governo, a partir principalmente da redução dos gastos públicos, que ainda continuam a representar papel preponderante no equilíbrio fiscal. (O Relatório Tendências é elaborado pelo Depto Econômico da Associquim/Sincoquim). |
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