Pesquisadores da UFSCar realizam estudos que
podem diminuir emissão de poluentes
Estudos do Departamento de Engenharia Química sobre catálise
ambiental reforçam necessidade de aproximação entre a universidade
e o setor produtivo
A oferta
de petróleo vem obrigando o emprego de fontes renováveis de
combustíveis. Na Europa, a utilização de biodiesel a partir
do metano vem sendo aplicada há algumas décadas. No Brasil,
boa parte da frota nacional roda com o popularmente chamado
“álcool”, combustível de base etílica, extraído da cana-de-açúcar.
As últimas três décadas registram a efetivação da rede de distribuição
de álcool no Brasil, o que permite que o país avance no sentido
não só da utilização, mas atue também como fonte exportadora
desse produto como alternativa aos combustíveis fossilizados
e de estoques cada vez mais escassos.
Ao mesmo
tempo, há que se considerar a necessidade de emprego de catalisadores
que viabilizem ambiental e economicamente as reações químicas
observadas tanto na combustão metílica como na etílica.
O Departamento
de Engenharia Química (DEQ) da Universidade Federal de São Carlos
(UFSCar) realiza testes em escala de laboratório relacionados
com essas reações. Pesquisas avançam, tanto na geração de hidrogênio
por reforma a vapor do etanol, quanto na reação de combustão
catalítica do metano.
O DEQ trabalha
na pesquisa e desenvolvimento de catalisador que possibilite
o barateamento da produção em larga escala. Segundo o pesquisador
Jose Mansur Assaf, as pesquisas focam a geração de hidrogênio
para aplicação em células combustíveis. “A pesquisa feita em
laboratório precisa, para atingir o mercado, de uma ampliação
de escala. O trabalho em laboratório observa pequenas massas
e volumes e avalia a estabilidade de acordo com variadas pressões
e temperaturas”, comenta Assaf. O pesquisador ressalta que a
próxima etapa, da qual depende uma aproximação entre a Universidade
e o setor produtivo, é a transferência dos estudos de laboratório
para centros de pesquisas que possibilitem testes avançados,
que ampliem a escala e efetivem estudos pilotos e depois realizem
testes em nível industrial.
Na UFSCar,
a reação de combustão catalítica do metano vem sendo estudada
para fins energéticos e de proteção ambiental. São investigados
catalisadores que promovam a combustão em temperaturas menos
elevadas, objetivando-se reduzir o consumo de energia nas reações
e a emissão na atmosfera de óxidos de nitrogênio gerados a partir
do ar, fonte de oxigênio utilizado no processo. Para isso, os
testes realizados no DEQ utilizam na reação de combustão o catalisador
à base de perovskita, um óxido composto de lantânio (La), manganês
(Mn) e strôncio (Sr). Os resultados mostram que é possível,
além do barateamento na produção, atingir desempenho semelhante
aos obtidos pelos escapamentos que atualmente utilizam metais
nobres como cobalto (Co) e níquel (Ni), que são comercialmente
bem mais caros. Além disso, busca-se também evitar a emissão
na atmosfera de hidrocarbonetos não consumidos no processo de
combustão, em motores de veículos alimentados com gás natural.
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