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A EMBALAGEM E O
CONSUMIDOR DO SÉCULO XXI
Dantas, T.B.
Os novos Canais de venda
Há alguns anos atrás, as necessidades dos consumidores podiam ser satisfeitas apenas com os tradicionais
armazéns ou através das feiras. Porém, a evolução dessas necessidades e dos
próprios consumidores tornou os compradores mais exigentes e conferiu-lhes o poder de manter ou não
um determinado produto no mercado; o consumidor impulsionou os desenvolvimentos de produtos e também das
embalagens e sistemas de distribuição, que tiveram que se adequar à diversidade e aos requisitos
destes novos produtos desenvolvidos. Além disso, alguns fatores sociais também estimularam esta evolução,
como por exemplo o aumento do número de mulheres no mercado de trabalho, o tempo de refeição
reduzido e a necessidade de produtos de preparo rápido e fácil.
Outro fator a ser destacado é a disseminação da Internet, criando-se, assim, uma nova ferramenta
disponível ao consumidor. Atualmente, a Internet vem se destacando com uma nova forma de negociação,
funcionando como meio de comunicação com maior potencial para a dinamização do e-commerce.
Este tipo de relações comerciais têm ocorrido não só entre os consumidores e
as empresas (business-to-consumer ou B2C), mas também entre empresas (business-to-business ou B2B). Os valores
e previsões do comércio pela Internet no Brasil são mostrados no gráfico a seguir.
Pode-se observar que, atualmente, o comércio eletrônico via Internet gira em torno de US$400 milhões.
Porém, a previsão para 2003 é de US$2,7 bilhões, sendo aproximadamente 30% deste valor
gerado pelo B2C.
Ainda em relação à utilização da Internet no comércio, pode-se ressaltar
também as mudanças ocorridas na integração entre fornecedores de insumos e seviços
ao longo da cadeia produtiva (supply chain), principalmente com o advento do ECR- Efficient Consumer Response,
na área de alimentos, que consiste basicamente na comunicação, via computador, entre os diversos
elementos da cadeia, permitindo uma troca rápida de informações, automação de
estoques e a negociação praticamente on line, tudo isso visando atender o consumidor de forma mais
rápida, eficiente e com o menor custo possível.
Devido a essas inovações trazidas pelo e-commerce, pode-se prever a necessidade de modificações
e novos desenvolvimento nos sistemas de embalagem utilizados atualmente pelas empresas, principalmente as embalagens
para transporte e distribuição, com relação à pradonização de
tamanhos e volumes das mesmas. Com a criação do smart-shopping, onde o consumidor faz suas compras
via Internet e recebe suas mercadorias em casa, aumenta a necessidade de otimização dos sistemas
de embalagem, buscando-se facilitar a logística de recebimento e/ou entrega dos produtos. Para este tipo
de sistema de compras, além dos requerimentos básicos de proteção do produto, existem
ainda alguns requerimentos adicionais: é necessário passar ao consumidor todas as informações
a respeito do produto, transmitindo-lhe a segurança de que aquilo que ele está comprando é
o que realmente deseja; as embalagens devem possuir uma maior resistência, devido ao aumento da movimentação
das mesmas; as embalagens devem ocupar o menor volume possível e apresentar rastreabilidade, através
do código de barras ou chips eletrônicos; as embalagens de transporte devem, cada vez mais, apresentar
características ideais, ou seja, baixo custo, resistência, retornabilidade, facilidade de manuseio
e limpeza, e versatilidade, em função da diversidade de produtos a serem transportados. Portanto,
o smart-shopping demanda um aumento de eficiência da cadeia produtiva. Com isso, existem alguns problemas
a serem resolvidos, com relação à logística e ao sistema de emblagem:
- compra de pequena quantidade de produtos, elevando o custo de entrega devido à perda de aproveitamento
de volume no trasnporte;
- locais de entrega diversificados e sem horário fixo;
- necessidade de um correto agrupamento dos itens nas embalagens de distribuição;
- remessas de diferentes tamanhos, difilcultando a otimização de dimensão e custo de embalagem;
- o consumidor espera ser atendido a qualquer hora, no menor tempo possível e em qualquer lugar do pais;
Existe também a necessidade da rápida entrega de produtos diversificados envolvendo o transporte
fábrica-varejo. A questão fundamental, portanto,é a combinação de cargas mistas
com o máximo aproveitamento da capacidade do meio de transporte a ser utilizado, o que implica no desenvolvimento
de sitemas modulares de embalagem, que apresentem resistência suficiente para permitir um transporte seguro
deste tipo de carga.
Entretanto, o desenvolvimento de novos sistemas de embalagens para atender às exigências do e-commmerce
não irá solucionar todos os problemas existentes. Pode-se citar outras alternativas auxiliares, como
a descentralização da produção ou das operações de embalagem, e a criação
de centros regionais de distribuição, centralizando a produção de diversos fabricantes
e funcionando como um canal de distribuição ao varejo ou diretamente ao consumidor.
Novas tecnologias
Os consumidores do século XXI exigirão alterações nos tipos de materiais e nas tecnologias
de processo de embalagens, ligadas ao processo de alimentos. Algumas alterações previstas ou em estudos,
e outras já utilizadas, são descritas a seguir (LOUIS, 1999):
Materias de embalagem
- materias de alta barreira, na maioria materiais plásticos, através de modificações
moleculares, e a produção de polímeros a partir de vegetais, que se tornarão excelentes
plásticos biodegradáveis;
- aumento da utilização de embalagens flexíveis, principalmente pouches, devido às
regulamentações, já existentes nos E.U.A., relativas aos resíduos gerados no descarte
de embalagens;
- produção de embalgens de vidro com menor custo, maior resistência físico-mecânica
e com paredes mais finas, através de novas tecnologias de processo;
- filmes com permeabilidade seletiva, utilizadas em embalagens com atmosfera modificada para produtos frescos,
através de uma nova tecnologia que consiste na aplicação de um filme altamente poroso, cuja
estrutura molecular é diferenciada, existindo uma ramificação da cadeia molecular principal
que pode cristalizar-se, independentemente da cadeia principal. Através da variação do comprimento
desta cadeia ramificada, o ponto de fusão do polímero pode ser alterado. Com isso, até uma
determinada temperatura, a cadeia ramificada permaneceria em sua forma cristalina, sendo assim barreira a gases
( O2, CO2, etc.).Porém, no ponto de fusão, a cadeia ramificada se funde instantaneamente, convertendo-se
em uma estrutura amorfa e de alta barreira a gases. Esta transformação é reversível
e pode ser utilizada para compensar o aumento da respiração de produtos frescos quando, por exemplo,
a temperatura aumentar de 5 para 12ºC, sendo possível manter a mesma razão CO2/O2;
- aumento da produção de papel e derivados a partir de fibra não proveniente da madeira, por
duas razões: a importância destes materiais no mercado de embalagens e a possibilidade da substituição
da fibra de madeira por fibras provenientes de outros resíduos de cereais, sendo necessárias, porém,
novas tecnologias de processo. Já existem no mercado embalagens em polpa moldada, a partir de resíduos
papel e papelão, que são totalmemte recicláveis e biodegradáveis, além de apresentar
baixo custo;
- a nova tecnologia de produção de aço, chamada de deposição eletrolítica
de ferro, permitirá a produção de folhas de aço muito finas com a mesma flexibilidade
da folha de alumínio e alta resistência mecânica;
Processos de embalagem
- embalagens ativas, já existentes, serão melhoradas, como por exemplo: plásticos auto-esterilizáveis,
através da incorporação de uma cerâmica antibacteriana, a “Zeomic” (Japão), que
converte o O2 ambiente em O2 ativo, que penera e destrói enzimas produzidas por microorganismos;
- removedores de O2 serão utilizados em embalagens ativas, combinados com outros produtos capazes de absorver
odores indesejáveis, proteger aromas naturais em alimentos e evitar danos causados por outros elementos
diferentes do O2;
- a irradiação de alimentos será largamente utilizada com a confirmação de segurança
do método;
-melhoramento das embalagens retampáveis e de fácil abertura, que atualmente apresentam alto custo
e não são totalmente eficientes.
Assim, através da otimização dos sistemas de embalagem juntamente com o melhoramento da logística
dos centros de distribuição, dos materiais e processo de embalagem, será possível atender
às exigências dos consumidores que determinam o curso do mercado atual. (Cetea - Informativo).
REFERÊNCIAS BLIBIOGRÁFICAS
BANCO de dados. E-commerce, São Paulo, n.1, p.38, out.1999.
BARRIZELLI, N., PINTO, A. Tendências do supply chain para o mercado de embalagem. In: BRASIL PACK TRENDS
2005. São Paulo: CETEA/ITAL, 200. 4p. (Palestra).
LOUIS, P.J. Food packaging in the next millenium. Packaging International, Paris/França, n.124, dez. 1998.
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