JORNAL DE PLÁSTICOS - SETEMBRO DE 2000

UM PASSO DECISIVO À FRENTE

Antônio Guarino de Sousa
Empresário

Lembro-me que no inicio da década de 60, no tempo da “mula-manca” e do galalite, abriu-se às indústrias nacionais de plástico a possibilidade de incorporar a nova tecnologia das máquinas automáticas importadas e realizar um grande salto qualitativo.
As empresas que deram naquela época o decisivo passo à frente tornaram-se a elite do plástico e as que se acovardaram foram condenadas a fundo de quintal ou desapareceram.
Quarenta anos mais tarde revivemos um novo e diferente Turning Point. Menos na área tecnológica (uma vez que o fácil acesso à informação disponibiliza a oferta de máquinas e processos em tempo real) mas essencial e fundamentalmente na área estratégica.
A reviravolta do mercado da década de 90, mercê da globalização como fator externo e do ajuste econômico interno prolongadamente excessivo, impõe decisões inovadoras e urgentes.
O cenário interno contempla os seguintes fatos determinantes:
- Efeitos da Globalização
- Verticalização Clássica.
- Verticalização Tercerizada.

Globalização
A abertura indiscriminada do mercado interno, como ferramenta econômica capaz de substituir o fracassado controle direto dos preços, sem entretanto respaldar-se numa superestrutura legal competente, gerou todas as formas de distorção, desde a elisão fiscal esperta ao sub- faturamento deslavado nas importações até o mais escancarado contrabando.
As grandes fusões a nível internacional geraram economias às filiais aqui instaladas e concentraram ainda mais seu poder de compra.
Os canais tradicionais de distribuição de bens de consumo sofreram um verdadeiro terremoto, desaparecendo seculares cadeias de lojas de departamento e fundindo, por absorção ou associação, dezenas de supermercados, hoje concentrados em três ou quatro grandes redes.
Nessas condições o relacionamento com o mercado fornecedor chegou a ser perverso e excludente multiplicando-se falências e desaparecimento de pequenas e médias indústrias.

Verticalização Clássica
O acirramento da concorrência, e a redução sistemática do mercado consumidor impõe a busca, muitas vezes irracional de economias, não importa quais sejam as conseqüências futuras.
Os fabricantes de equipamentos já não buscam a indústria transformadora tradicional, (majoritariamente pequenas e médias), vão direto à ponta da cadeia produtiva para a qual as fontes de financiamento são mais amplas e as garantias mais sólidas.
Produzir suas próprias embalagens tornou-se economicamente imprescindível.

Verticalização Tercerizada
Esta forma mais atual de verticalização oferece condições de sobrevivência a alguns transformadores do gênero “tudo te darei se prostrado me adorares” ou morte certa a outros afoitos que se agregam descuidadamente a seus grandes clientes.
A criação de empresas modernas específicas para produção in house tem sido a forma mais utilizada em escala mundial, notadamente quando o produto intermediário é volumoso. Muitas multinacionais estão trazendo da origem seus fornecedores tradicionais e instalando-os em seu parque produtivo. Muitos desses fornecedores estão usando sua eventual ociosidade para competir em outros mercados com custos marginais, exercendo verdadeiro massacre sobre os concorrentes.
Utilizando os números tão divulgados pelo JP perguntamos: o que fazer com as 4500 Indústrias de Plásticos nacionais, na perspectiva do 3º. Milênio?

Solução l.
- De mercado (neoliberal e perversa) - guerra é guerra e quem sobreviver verá.
Solução 2.
- Formas Cooperativas:
- Fusões.
- Associações Exportadoras via TRADE
- Centrais de Produção.

Fusões
Enquanto no ambiente dos grandes negócios as fusões orientam-se pelo valor e mercado de ações, na P.M.E. o valor do negócio flutua sobre o imponderável.
Determinar o valor patrimonial e o fundo de comércio de uma pequena indústria é trabalho de Hércules ou de cartomante.
Dividir o mando é outra “missão impossível”.
Nessas condições o elemento externo incentivador e árbitro necessário, tem que ser um órgão oficial e experiente no trato com os pequenos negócios. Obviamente, o sistema SEBRAE.
Para que algum resultado seja obtido faz-se necessário um grande programa a nível de PME, utilizando todos os recursos disponíveis a nível federal, estadual e municipal, de forma a sensibilizar, gerar confiança e atrair empresários de pequenos negócios.

Associação Exportadora Via Trade
O titulo do parágrafo sintetiza e simplifica uma muito pensada e elaborada forma de inserção da pequena indústria no processo exportador.
Há décadas sempre que o necessário esforço exportador torna-se viável, surgem as fórmulas requentadas e de alto custo benefício. Caravanas, Feiras, Consórcios, Missões, Encontros, etc. são realizados em profusão.
Se o custo desses eventos for computado e divulgado “vis – a – vis” o seu resultado concreto a médio prazo, restará o consolo das grandes festas e de agradáveis viagens.
Os paises asiáticos, Taiwan e China à frente, nos ensinam que só exporta quem sabe e tem competência. Exportar é difícil, não é coisa para qualquer pequena empresa. Exportar é para Trade Company.
Ao invés de gastar fortunas com os eventos já citados, selecione-se Trades por ramo de atividade e, junto e em torno delas, forme-se um aglomerado de indústrias potencialmente exportadoras.

UMA TRADE-UM GRANDE CATÁLOGO-MUITOS EXPORTADORES
Cada exportador contribuindo com seu produto supostamente vantajoso, segundo critérios próprios e da trade.
Os recursos humanos e financeiros necessários para a aglutinação e a organização do catálogo serão muitos menores que os atualmente gastos nas espalhafatosas “promoções oficiais”.
Transfiram-se esses recursos de alguma forma diretamente às trades. A delegação às trades da incumbência de exportar produto do P.M.E. gerará naturalmente novas trades cada vez mais especializadas e assim poderemos almejar atingir níveis asiáticos de exportação.

Centrais de Produção
Mais sofisticada e dependente de apoio institucional, esta fórmula prevê, ao invés das fusões, a concentração de unidades produtivas unitárias em grandes parques industriais, sob a forma de cooperativa, Ltda. ou S/A dependendo do porte.
Cada empresa mantem seu departamento comercial e sua estrutura administrativa, delegando à central de produção a fabricação dos produtos. Pode-se imaginar, por exemplo, uma central de injeção, outra de sopro etc.
Embora qualquer solução seja penosa em termos de aglutinação e operacionalização, alguma delas terá que ser tomada sob pena da fatídica previsão segundo a qual das 4500 indústrias de plásticos hoje existentes só sobrarão 2000 em 2003.

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