|
O NOVO GOVERNO E A CORREÇÃO DE
RUMO
Sydney A. Latini
O teor dos programas de governo enunciados pelos quatro principais candidatos à Residente da República
revelam quase unanimidade de pontos de vista em relação à necessidade de correção
de rumo no que se refere à política econômica.
Há um amplo consenso de que é preciso haver políticas macroeconômicas e fiscais saudáveis
mas também de que o problema da desigualdade no Brasil é enorme, deve ser enfrentado e de que uma
das maneiras de fazê-lo é via educação. As diferenças – se é que existem
– entre as diversas correntes políticas que apoiam os candidatos dizem respeito às prioridades e
estratégias.
A experiência da hiperinflação deixou marcas tão profundas que ninguém quer voltar
para esse tipo de má administração da política macroeconômica. A esse respeito
há um amplo consenso na sociedade que se reflete entre os partidos políticos. Espera-se, no entanto,
– e todos os candidatos admitem – ajustes finos de sintonia.
Mas essas diferenças na sintonia fina não significam que não haja um consenso entre eles sobre
a necessidade de políticas macroeconômicas saudáveis. Podemos ter um afrouxamento nas metas
de inflação e fiscais em troca de novas medidas sociais para o novo governo, sendo admissível
arriscar uma pequena alta da inflação para avançar políticas sociais mais amplas, como,
por exemplo, baixar o desemprego, reduzir a criminalidade e a violência, conjugando política econômica
e política social.
Não há uma receita única: sempre há saídas alternativas. É possível
achar-se soluções como, por exemplo, de que forma o crédito pode chegar mais barato às
pequenas e médias empresas. Há mais de um capitalismo, de um sistema econômico. O importante
é discutir qual o modelo para cada país. É muito difícil que uma nação
consiga crescer de forma sustentável com altas taxas de juros.
O Estado precisa agir onde há imperfeições do mercado. A crença no perfeccionismo do
mercado gerou políticas ingênuas como a abertura indiscriminada às importações,
que resultou na extrema vulnerabilidade externa que só pode ser corrigida com a ação decisiva
do Estado, pois a globalização foi feita pelos países desenvolvidos em prol deles mesmos.
A globalização, sem dúvida, prejudicou os países mais pobres. É preciso aprender
a lidar com a globalização. O mais sensato é que cada país ache sua saída.
O novo governo – qualquer que seja o candidato eleito – não vai perder a oportunidade de concentrar sua
atenção no equacionamento dessas questões, pois elas são vitais para o nosso desenvolvimento.
É o que esperamos.
|