SETEMBRO DE 2002

O NOVO GOVERNO E A CORREÇÃO DE RUMO

Sydney A. Latini


O teor dos programas de governo enunciados pelos quatro principais candidatos à Residente da República revelam quase unanimidade de pontos de vista em relação à necessidade de correção de rumo no que se refere à política econômica.

Há um amplo consenso de que é preciso haver políticas macroeconômicas e fiscais saudáveis mas também de que o problema da desigualdade no Brasil é enorme, deve ser enfrentado e de que uma das maneiras de fazê-lo é via educação. As diferenças – se é que existem – entre as diversas correntes políticas que apoiam os candidatos dizem respeito às prioridades e estratégias.

A experiência da hiperinflação deixou marcas tão profundas que ninguém quer voltar para esse tipo de má administração da política macroeconômica. A esse respeito há um amplo consenso na sociedade que se reflete entre os partidos políticos. Espera-se, no entanto, – e todos os candidatos admitem – ajustes finos de sintonia.

Mas essas diferenças na sintonia fina não significam que não haja um consenso entre eles sobre a necessidade de políticas macroeconômicas saudáveis. Podemos ter um afrouxamento nas metas de inflação e fiscais em troca de novas medidas sociais para o novo governo, sendo admissível arriscar uma pequena alta da inflação para avançar políticas sociais mais amplas, como, por exemplo, baixar o desemprego, reduzir a criminalidade e a violência, conjugando política econômica e política social.

Não há uma receita única: sempre há saídas alternativas. É possível achar-se soluções como, por exemplo, de que forma o crédito pode chegar mais barato às pequenas e médias empresas. Há mais de um capitalismo, de um sistema econômico. O importante é discutir qual o modelo para cada país. É muito difícil que uma nação consiga crescer de forma sustentável com altas taxas de juros.

O Estado precisa agir onde há imperfeições do mercado. A crença no perfeccionismo do mercado gerou políticas ingênuas como a abertura indiscriminada às importações, que resultou na extrema vulnerabilidade externa que só pode ser corrigida com a ação decisiva do Estado, pois a globalização foi feita pelos países desenvolvidos em prol deles mesmos. A globalização, sem dúvida, prejudicou os países mais pobres. É preciso aprender a lidar com a globalização. O mais sensato é que cada país ache sua saída.

O novo governo – qualquer que seja o candidato eleito – não vai perder a oportunidade de concentrar sua atenção no equacionamento dessas questões, pois elas são vitais para o nosso desenvolvimento. É o que esperamos.

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