SETEMBRO DE 2002


PLÁSTICO SUBSTITUI ANIMAIS EM
TREINAMENTOS E TESTES LOBORATORIAIS

Camundongo de PVC é a primeira cobaia sintética que permite simulação
de técnicas de microcirurgia sem sacrificar animais vivos

A “Cobaia de PVC” (PVC Rat, em inglês) foi especialmente desenvolvida para o aprimoramento das técnicas de microcirurgia nacionais e internacionais. Com a “Cobaia de PVC”, estudantes, residentes e profissionais da área médica poderão substituir, sem restrições, o uso de animais vivos (ratos e camundongos) em treinamentos e experimentos laboratoriais.

A peça, produzida com um tipo especial de PVC (Policloreto de Vinila), é idêntica a um rato de verdade, tanto no aspecto externo (aparência e textura), como interno (coração, rins, fígado, jugular, veias e artérias, entre outros). Para o Prof. Dr. Ivan Hong Jun Koh, da Escola Paulista de Medicina, trata-se de um avanço nessa técnica operatória. “A utilização da Cobaia de PVC é um instrumento de capacitação dos profissionais em microcirugia”, diz o especialista.

Além de preservar a vida de milhões de camundongos a cada ano - estudantes e estagiários de laboratórios causam a morte de aproximadamente 70% das cobaias devido à complexidade do procedimento cirúrgico e à anestesia utilizada -, a “Cobaia de PVC” representa um importante passo na evolução das técnicas microcirurgicas mundiais, assim como nas questões éticas e científicas.

Com a “Cobaia de PVC” é possível realizar aproximadamente 25 diferentes tipos de técnicas microcirurgicas. A peça é uma alternativa econômica, pois suas partes internas podem ser repostas (vendidas separadamente), permitindo a re-utilização de um único portótipo por diversas vezes.

A “Cobaia de PVC”, desenvolvida na Holanda pela Microsurgical Developments (MD), uma entidade sem fins lucrativos, e patenteada pela empresa Belga Solvay Pharmaceuticals, é comercializada juntamente com um programa de computador que simula a aplicação da anestesia e torna possível o controle da temperatura e respiração da “Cobaia”. Além disso, o programa gera relatórios sobre todo o processo permitindo, ainda, que cada etapa possa ser repetida.

A iniciativa, no Brasil, tem o apoio do Instituto do PVC e da entidade protetora dos animais, Arca Brasil. Para Marco Ciampi, presidente da entidade, a vantagem do uso da Cobaia de PVC pela comunidade médica está na redução significativa do uso de animais vivos. “Cada produto sintético preserva cerca de 200 camundongos por estudante e até 100 animais por técnico de laboratório”, explica Ciampi.

O lançamento foi realizado no evento Modelos Alternativos – ´Cobaia de PVC‘ – no Treinamento e Ensino da Microcirurgia, que acontece no dia 9 de setembro, na Escola Paulista de Medicina. O evento contou com a presença do Dr. René Remie, Chefe do Laboratório de Ciência Animal da Solvay Pharmaceuticals e presidente da Microsurgical Developments, e do Dr. Robert Zhong, Diretor de Cirurgia Experimental da Universidade de Western Ontario, Canadá.

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