NOVEMBRO DE 1998

Matérias do Mês:
EDITORIAL: Brasilplast '99
Notas Sintéticas
K'98: Sucesso pela inovação
MDK leva recorde de brasileiros à K'98
Palestra proferida pelo presidente da Interpack, ERNST H. BERNDL
Mercoplast '98
KPMG: fusões e aquisições
SYCAD apresenta o symold/98
Emissário submarino de plástico devolve a Praia de Icaraí à população
Produtos plásticos brasileiros serão normatizados
Caixas d'água em PEAD: um novo mercado
MDK aproxima o Brasil das grandes feiras internacionais
PVC: uma tradição lucrativa na transformação do plástico
Refrescos guararapes investe R$ 60 milhões em nova fábrica



EDITORIAL
BRASILPLAST '99

A CONTAGEM REGRESSIVA para a realização da próxima Brasilplast — versão 1999 — a ser realizada entre os dias 08 e 13 de março próximos está tendo início com a publicação da bela peça publicitária na 1ª capa dessa edição de novembro/98 do JORNAL DE PLÁSTICOS.
SENTIMO-NOS ORGULHOSOS, a cada realização de uma Brasilplast, de poder mostrar ao imenso público leitor do JP, hoje distribuído ao longo de 11.000 exemplares, a crescente pujança desse evento.
EM NOSSOS 42 ANOS de atividades, recém comemorados, temos a certeza, sem falsa modéstia, de que ajudamos a impulsionar um tímido parque transformador de plásticos, que contava com 300 empresas, lá pelos idos de 1956, até o expressivo índice de 6.000 empresas atualmente.
TAMBÉM COLABORAMOS, direta e indiretamente, com nossas divulgações, para a implantação de um poderoso parque petroquímico e de máquinas e equipamentos para o setor plástico.
COM RELAÇÃO À PRÓPRIA BRASILPLAST, nosso orgulho, também é relacionado ao fato de que, já em meados dos anos 60, lutávamos, em reuniões com os organizadores da Feira da Mecânica e com os dirigentes da entidade representativa das máquinas para plásticos, para que fosse criado, dentro desse evento, a “Ilha dos Plásticos” — setor que agruparia, num só local , todos os fabricantes de máquinas e equipamentos para plásticos.
ESSA “ILHA DOS PLÁSTICOS”, foi um dos embriões que resultaram, já na década de 80, na idéia de se realizar uma feira do setor plástico, agora englobando o setor das matérias primas e dos transformadores, juntamente com a de máquinas e equipamentos — as Brasilplast.
HOJE, EM PLENA ÉPOCA DE GLOBALIZAÇÃO da economia, a Brasilplast, através dos esforços de seus organizadores e promotores — Alcantara Machado Feiras e Promoções- e contando com o apoio decisivo da Abiplast, Abimaq, Abiquim e Siresp, rompeu fronteiras e transformou-se em uma Feira realmente de âmbito intenacional, sendo a mais importante da América Latina e uma das mais importantes a nível mundial.
EM 1997, QUANDO DA REALIZAÇÃO de sua última versão, o evento contou com 965 expositores — 47% do exterior — distribuídos por área de 33 mil m2 e recebeu público de 62 mil visitantes, sendo 1900 estrangeiros. Foram fechados, na época, negócios em torno de R$ 1,7 bilhão.
AGORA, NA DE 1999, temos a certeza, esses números todos irão se ampliar consideravelmente, pois apesar de prenúncios de recessão para o próxmo ano, nosso consumo per-capita de plástico é ainda muito baixo - 19 kg/ano - quando comparado, p.ex., ao dos Estados Unidos - 110 kg/ano. Ou seja, existem muitos nichos de mercado a serem explorados, e o interesse pelo assunto "plástico" é cada vez mais crescente como constatamos, não só através de inúmeras consultas à nossa redação, mas também, pelo sucesso de nosso Curso de Plásticos por Correspondência-CBIP- com seus mais de 900 alunos espalhados em todo o Brasil.

NOTAS SINTÉTICAS


Atenção Profissionais Ligados ao 
Setor de Plásticos e Polímeros

O JORNAL DE PLÁSTICOS pretende divulgar em seu site na internet, trabalhos técnicos relacionados a plásticos e polímeros. 
Se você é autor de alguma tese, monografia, artigo, etc.,
contate-nos pelo fone/fax: (021) 717-0375 ou pelo e-mail: jorplast@openlink.com.br 


K’98 - SUCESSO PELA INOVAÇÃO

Antonio Guarino de Souza
Empresário e Ex-Presidente do Sebrae nacional

Cerca de 4.000 brasileiros - industriais, técnicos e representantes comerciais - foram a Düsseldorf, Alemanha confirmar o lema da K’98 - SUCESSO PELA INOVAÇÃO. Todas as expectativas dos organizadores da feira foram superadas. Movidos pela competitividade globalizada, 265.000 visitantes, 50% dos quais vindos de outros 103 países, superlotaram os 16 pavilhões da maior exposição de plásticos jamais realizada.
Se as feiras anteriores foram marcadas por grandes descobertas científicas e tecnologicas, tanto nas matérias primas quanto nos equipamentos, a K’98 tratou prioritariamente de mostrar como as inovações acumuladas devem ser usadas de forma a produzir sempre mais, mais rápido e sem a interferência humana.
Os processos de transformação se tornam orgânicos e compactos. Mudou o conceito “Máquina-Periféricos”, superado pelo de “Unidade Produtiva” onde não se destaca ( e muitas vezes nem se pode ver), a separação física entre o equipamento medular e os periféricos.
No processo de moldagem distinguem-se apenas a matéria prima em seu estado original e o produto final devidamente moldado, decorado e embalado. Na “ilha” de produção estão incluídos: pigmentação, dosagem, moldagem, decoração das mais diversas formas (silk,off-set, hot stamping, tempografia, rotulagem e in-molde) e embalagens, tudo perfeita e rigorosamente controlado por um ou mais computadores capazes de permitir o acompanhamento em tela de qualquer fase do processo, desde a reologia do plástico até o desgaste dos componentes mecânicos.
Simplificando, poderíamos afirmar que o parâmetro fundamental de todos os processos de transformação foi o tempo. Media-se em cada stand o ciclo mais rápido e a melhor produtividade final.
O eixo dos negócios também parece ter se deslocado na K’98. As curiosas placas “sold tol” (vendido para) cada vez mais indicam que os fabricantes de bens de consumo final estão avançando na verticalização pura e simples, agregando os equipamentos de moldagem de suas embalagens ou sediando unidades inteiras de produção de seus tradicionais fornecedores.

DESTAQUES DA FEIRA:
Matérias Primas
Embora todos os grandes fabricantes de matérias primas estivessem presentes em grande estilo (como a Bayer, e a Basf, que ocuparam 1/2 pavilhão cada uma), ao contrário das feiras anteriores a proposta predominante era horizontalizar as aplicações das resinas preexistentes, que em passado recente foram formuladas para atender solicitações técnicas específicas.
Cada fabricante procurou divulgar as mais diversificadas e novas aplicações para suas resinas de linha, evidenciando a intenção de racionalizar pesquisas e ampliar ganhos sobre cada material. Nesse sentido a feira foi um verdadeiro show.
Como a indústria automobilística foi um dos temas centrais da feira, (o outro foi o plástico na medicina) o avanço dos plásticos sobre os metais nesse campo foi especialmente mostrado pela GE, Basf e Bayer. A GE com as resinas da família Noryl, Lexan e Cicolac, aplicadas desde as carrocerias dos carros até os menores componentes do sistema eletrônico de ignição. A Basf (intimamente ligada à origem e ao sucesso de todas as 14 feiras K já realizadas), apresentou seu copolímero de estireno, chapas de acrílico e, principalmente, os materiais de engenharia. A Bayer fez de seu stand um show denominado “Química sobre rodas” onde nada menos que 40 matérias primas foram exibidas em suas aplicações automotivas, com grande destaque para os poliuretanos.
Entre todas as matérias primas, entretanto, a grande atração foi o desenvolvimento obtido na utilização dos catalisadores metalocenos na produção de poliolefinas. Na K’95 eles eram ainda um “segredo de estado” e sua aplicação em larga escala esbarrava nos preços comparativamente muito altos em relação aos catalisadores convencionais.
A experiência acumulada desde então já permite alimentar expectativas amplamente favoráveis a curto prazo. Ao contrário dos catalisadores tradicionais Ziegler-Natta os metalocenos permitem analisar detalhadamente a sua estrutura, tornando possível definir em ampla escala as propriedades desejadas dos polímeros resultantes. Especialmente no PEBD acredita-se que os excelentes resultados já alcançados estarão muito em breve no mercado.
Se as grandes fabricantes alemãs de matérias primas foram as vedetes desse segmento, também estavam presentes todas as demais empresas do ramo, de todas as partes do mundo, inclusive as nossas OPP, Policarbonatos, Polibrasil e Cromex, com eficiente participação. Vale lembrar também que, na briga pelo mercado de frascos soprados o PET avança fulminantemente sobre o PVC e as poliolefinas na área de shampoos, detergentes e similares, além de reinar soberano nos tradicionais frascos de refrigerantes carbonatados.
Máquinas e Moldes
Dos 15 pavilhões da K’98, 11 foram dedicados a máquinas e moldes. Se pretendêssemos definir a feira em poucas palavras seria correto afirmar que ali se tratou de expulsar definitivamente o trabalho humano das fábricas de plástico. Desde o planejamento da produção ao detalhe final da embalagem para despacho, à informática e suas conseqüências práticas baniram inicialmente os trabalhadores braçais e em seguida os próprios gerentes de produção. É possível conduzir-se uma grande unidade produtiva com apenas 5 ou 6 homens. Também a relação máquina-molde foi radicalmente modificada especialmente no processo de injeção. Seguindo um paralelismo com o que ocorreu na informática, onde até bem pouco tempo reinava o “hardware” sobre o “software” e brevemente o “hardware” será dado como brinde, no estado atual da tecnologia dos moldes já se pode dizer que a máquina passou a ser sua parte metade e que brevemente será seu complemento. Os extraordinários softwares que auxiliam o projeto e a fabricação dos moldes, as câmaras e os bicos quentes com controle cada vez mais apurado de temperatura e a utilização de materiais especiais facilitadores da refrigeração, aliados a dispositivos de extração cada vez mais robotizados, fizeram com que o caminho natural entre a idéia do produto e sua produção inicie pela definição da matéria prima seguido do projeto do molde e finalmente a máquina, que terá que satisfazer tais especificações, principalmente em termos de velocidade de operação.
Vimos, por exemplo, uma máquina injetando pré formas de garrafas de PET em um molde com 96 cavidades com ciclos de 10 segundos e um molde de tampas de potes de margarina, na concepção “Stack Mold”, com quatro níveis de placas cavidade, cada uma com 24 cavidades, cuja produção era nada menos que 65.000 peças/hora. Mérito à Indústria Tradesco que projetou e construiu essa verdadeira maravilha tecnológica.
Mais de 100 fabricantes de moldes estiveram na feira, inclusive (e em grande número ) os portugueses de Marinha Grande. Como a maioria dos moldes expostos se destinavam a grandes fabricantes e a grandes lotes de produção, preços na casa dos 150 a 200 mil dólares não eram de se estranhar.
Presença marcante de empresas fabricantes de câmaras e canais quentes como a DME americana e a Mastip neozelandesa, que acaba de contatar a carioca Equipast para representá-la no Brasil.

Sopro
Na área de Sopro de poliolefinas e PVC ou de injeção-sopro de PET a robotização pontificou. O que tradicionalmente chamávamos de “uma máquina” é hoje uma verdadeira fábrica de plásticos. Sopradora, molde, controles, dosadores, resfriadores, rebarbadores, calibradores, rotuladeiras e embaladoras são hoje uma mesma unidade que gera uma produção massiva rigorosamente acéptica, em ambiente rigorosamente limpo.
Esse novo conceito se ajusta perfeitamente à tendência e verticalização observada. Os novos projetos de fábricas de detergentes ou shampoos incluem, além de suas máquinas tradicionais de mistura,